Samstag, Juni 17, 2006
Home Alone
Amo ficar sozinha em casa. Não preciso me importar com ninguém, fico livre pra fazer o que eu quiser. Horas e horas na frente do computador sem ninguém pra encher o saco, o volume do som fica no talo e eu passo um tempão na cozinha sem ninguém pra falar que eu estou comendo muita besteira. Melhor mesmo é chamar os amigos, ouvir música mais alta ainda, assistir mil filmes, comer (e derramar) pipoca, aprontar, fazer brincadeiras bobas, jogar os antigos jogos de tabuleiro.
É maravilhoso ter a casa inteira só pra mim. Danço, canto, ando pelada, faço o que eu quiser, sou quem eu quiser sem ninguém pra me censurar. É um momento só meu, pras minhas vontades, minhas coisas, minhas loucuras, minhas manias. Talvez seja egoísmo tanto 'eu' e 'meu', mas é que eu realmente estou precisando de um momento desses, tem tempo que eu não vivo só para mim, e isso faz falta.
Eu descobri uma coisa um tanto quanto curiosa: a maior parte das pessoas, mesmo sozinhas em casa, trancam a porta na hora de ir ao banheiro. Eu não faço isso, ao contrário, aproveito que estou sozinha em casa pra até tomar banho de porta aberta sem ninguém fica entrando no banheiro. Aproveito também pra fazer coisas que normalmente não faço, como por exemplo, pular na cama dos meus pais como se ainda tivesse 5 anos de idade, colocar o colchão no chão e ficar dando cambalhotas, conversar sozinha sem ninguém pra se intrometer no meu papo comigo mesma e vasculhar as coisas da minha irmã a procura de segredos e coisas legais.
Quando fico sozinha em casa sempre deixo a TV do quarto dos meus pais ligada, mesmo que eu não esteja assistindo. Sou medrosa, é uma forma de sentir que estou segura, principalmente de noite. Quando abaixo o volume e fico quietinha os barulhos dos móveis ou das outras pessoas nos apartamentos vizinhos me dão medo. Antigamente isso era bem mais forte, hoje eu já me acostumei com a idéia de que são só coisas da minha cabeça.
De uns anos pra cá eu passei a sentir mais vontade de ficar sozinha comigo mesma, pensando, ouvindo música, sendo minha própria psicóloga, tentando me entender. Pra muita gente isso é bobagem, e que seja, eu não me importo. Ontem antes de dormir eu fiquei quietinha na cama da minha irmã (estava com preguiça de subir pra minha), ouvindo The Mars Volta. Senti um arrepiosinho e fiquei encolhida. Foi um sofrimentozinho gostoso, porém sem explicação. Uma nostalgia boa. É realmente bom poder ficar no meu canto sem ninguém saber o que está se passando. Gosto dessa privacidade, mas gosto, principalmente, de poder acabar com a solidão a hora que eu quiser.
Sabe qual a pior parte de ficar sozinha em casa? É quando alguém chega, principalmente se esse alguém chega cedo demais.
vomitado por ~nati. @ 2:13 PM |